30 de abril de 2010

Maldito Inferno


Ele se via obrigado a cambiar de mão para secar aquele suor na testa daquela noite miserável de quente. Tava aperreado de passar fome. Nem imaginava que naquele exato tempo tinha um filho de uma puta festeando com luxos diabólicos, numa modernidade de prédio, nem mangava tal. Ele sabia que sua mãe era uma meretriz. Ele volte-e-meia, abusado por um pinguço, que temperava o gogó das oito às dezoito, desde os doze. O pinguço por sua vez era cadeira-cativa da prostituta, que por sua vez se prostituia no barraco. O barraco mal dava pra viver. Uma peça, além do banheiro. O guri lá no pé da cama olha a mãe-do-mundo se enrascando com cada malandro, que só vendo. Os malandros, pretos retintos, desgraçados da vida. Não sabem nada. A noite continuava quente como o inferno. O guri com algumas buchinhas. A grana no fim dava pra comprar uma caixa de zóiudo. A mãe gozava. A cobertura todos gozavam. A garrafa gozava na goela do pinguço. Os malandros gozavam o que não tinham. O guri gozava seu arroz, feijão e aborto frito.