19 de junho de 2010

Sêca

Lágrima colando na poeira da fronte. Cara esticada olhando pro céu azul angustiante. Uma nuvem miserável no fundo do horizonte. Nos braços do vaqueiro... o filho defunto de fome... a pele esticada nos ossos. Não tinha nem força pra chorar. No meio do sertão escaldante: o vale dos ossos secos. Aqui acolá boiadas gentes cadelos bichos. Urubus vivos, e só mais um vivo humano, o último se finalizando.

Um labirinto de Borges.

Ventania, batia as janelas da casa-grande, a mulecada correndo na relva. A sinhá com a chita nova fazia qualquer coisa no copiar da casa. As galinhas bicando o chão batido. Lá no ermo os bois pastando. O céu completo de nuvens. Os cães atrás dos preás. O vaqueiro no jerico velho. O céu pingava algumas lágrimas.