20 de agosto de 2010

Solo do Vazio, da Solidão e do Frio

Justificando-se apenas pelo silêncio, pelas mãos velhas, em pé na avenida movimentada, entregava aos transeuntes pequenos panfletos de putas, travestis e gostosas (a preços de banana). E ao passo que cada transeunte lhe ignorava, sua solidão buscava um novo amparo mais profundo, mais recluso, ninguém tinha coragem de lhe olhar na cara angustiada, marcada pelo frio, pelos ruidosos mecanos urbanos, miravam, somente, a roupa surrada, o jeans azul amarelado de todos os dias, os sapatos gastos de tanto correr atrás da vida, que insistia em lhe ignorar também. Os bolsos como repositório do panfletário solitário. Um panfletário de prazeres rápidos, ascosos, que abraçam o mal e o bem, e transforma-os em um só conceito sexual, gozando após o gozo a solidão