3 de maio de 2010

Uma Vereda NEGRA

A velha Negra, de pele enrugada, aguardando a audiência no fórum de Areia, resignada com o horário...iria pelejar por uma causa comum. Seu Filho, assassino jagunço desses sertões. Matou cinco na bala, outro tanto na faca, só aqueles que o excelentissimo magistrado anotou nos autos. Mais uns dez, que de causo se ouve pelas cercanias de Areia. A velha Negra iria rogar pelo desgraçado. Pedir perdão. Não era um assassino, era um Filho. Criado naquele lugar de tristeza e medo, esquecido. Não foi escolha dele. Foi escolha dos poderosos. Mas a Negra nem sabia disso. Era seu Filho que ela viu crescer. O magistrado condenou. A Preta com os olhos encharcados de água. Queria ir pro xadrez no lugar do Filho. Vivia pro Muleque. O magistrado juiz afirmou fazer a justiça necessária. A Negra moída pela justiça, descobriu que a justiça real não é igual a justiça de sua mente. O magistrado e seus filhos ao fim de semana, iam pra fazenda. Piscinavam ao domingo.