Então aspirei o ar com plenitudes da caixa do peito. Ajeitei a caruda, puxei a gola sufocante. Desci pinga na goela. A concha das orelhas atentas a qualquer ruído, revigorado então, fósforo na mão. Risquei o madeiro, que avivou chama ardida e tasquei brasa no prego de caixão. No breu do morro, o amarelão das lâmpadas dos barracos e uma espessa neblina. Noite adentro, cadelo latindo, moto de escape dos infernos esgoelando, uma sirene miúda no ermo do urbano. Na surdina da sombra, entre dois barracos de tijolos adobes, canto de escada, subia o nêgo Valdir. Me comprou cinco pedras, esse filho da puta, folha de calendário já caiu duas desde a'quisição. Nêgo Valdir até hoje, balaço na espinha, viajante dos sete-palmos na boca de lama do cemitério. Com meu pau-de-fogo queimei pano de nêgo vadio. E eu sô lá nêgo de perdoar?