3 de março de 2011

Bonifácio Carrara, el argentino de meia-tigela! Viva Anacleto Serapião

E Bonifácio era bobo das idéias por um tango argentino. De Carlos Gardel só tinha Jesus Cristo por cima dele. Não tinha nenhum forró pé-de-serra que desvirtuasse a perna de Bonifácio do tango. Pois na festa de São João, era brasileirismo pra cá e tango argentino querendo chutar vitrola pra lá. A bem dizer, não cabia mais nem uma azeitona no salãozinho de festas da paróquia do sertão de Santo Amaro das Boas Mortes. Tinha até moleque já expelido pelo ladrão. Era Bonifácio engrandecer Agustín Magaldi e outra tangueiros, pro meganha Anacleto Serapião desmerecer a outra metade, pois era sabido de todos que se tinha alguém que Anacleto não gostava nesse mundo de Nosso Senhor, era qualquer falante de espanhol, seja vivo ou morto, seja padre ou criança, até meretriz. Era alguém dizer "que pasa?", pra Anacleto tomar feitio de monstro vinganceiro e denegrir a mãe até de quem tava quieto. E Bonifácio duro de envergar, deu de arrotar exaltações e pragmáticas em espanhol, e a briguinha que até então era uma simples discussão tomou ar de holocausto. Anacleto tomava cor de pimentão, e Bonifácio cuspia meia-dúzia de "hola, que tal?" na face do vingancista emergente. E na mão de Anacleto, saído de lugar mágico, tomou ares um facão de metro e meio diante dos olhos de Bonifácio, que de imediato deu de traduzir os espanhóis arrotados nos seguintes dizeres: eu disse coisa de somenos, seu Anacleto, tava mesmo é desmerecendo a meretriz da mãe de Carlos Gardel, que aquela dança é invenção é de brasileiro, que espanhol mesmo é língua de viado, e que Deus-o-livre qualquer latino de cruzar com seu Anacleto, que é o sujeito mais competente de todo o Pernambuco, em assuntos de música ou prisão!. E por fim, arrotou aquele que é o título desse sucedido.