Nada demais, até a hora em que a dona Cráudia Reis tocou o sininho chamando os convidados para o almoço de comemorativo do natalício de Adulão Reis. E lá, linda e formosa, estava a feijoada de mileum ingredientes, famosa sertão adentro e em ascensão capitais afora. Pois no dobrar da segunda hora em cima do prato, Afonsete Santana sentiu aquele frio na espinha, provindo das profundas partes. E friozinho nefasto subindo e descendo pelas tripas, Dona Afonsete em feitio de relâmpago, vai em direcionamento ao sanitário e lá no íntimo começou a descomer coisas inefáveis lá por aquele lugar onde o sol não bate. Entre feijões e objetos não-identificados, lá estava algumas coisas que não se tinham notícias desde tempos recuados, como um dedal em forma de estátua da liberdade, um anel de compromisso de um tal de Tião Grandão, da era em que Afonsete tinha as pelancas e montepios no devido lugar e altura, um grampo de varal, três reais em moedas e duas cédulas de dez reais, que não se recordava em ouvir falar em prejuízo ou queixa de desaparecimento, e lá estava mais alguns lucros e dividendos em papel de governo brincadeiroso da filharada, que na época do sumiço foram reclamados pelos molecotes, hoje com canudos, becas de doutor e escritórios montados nas capitais. Motivo do desarranjo: Dona Cráudia Reis em bafo de simpatia picou um cheque sustados do Banco do Brasil, moeu no liquidificador um dispositivo de caixa eletrônico e pingou dose-e-meia de laxante "Corre!". Afonsete teve conhecimento disso ao confessar o nefasto sucedido, todavia, com reservas de alguns detalhes, inclusive o detalhe de que a única coisa resgatada da bóstaiada foi a pecúnia de vinte e três reais. Mãos, moedas e cédulas e intestino devidamente lavados a poder de QBoa: segundo rounde da feijoada. Com bolsos cheios. Felizarda!