11 de janeiro de 2011

Grito de Coisa Ruim Não é Pra Qualquer Um

E Rebordão Pereira, da engavetada comarca de Santo Pirajibe do Norte, de grito engasgado na cova da goela de modo que não saia som, encenava que nem filme mudo desespero e as varetas dos braços em modo de pássaro, a bocarra escancarada e esbanguelada, de tanto mamar em teta, em feitio de menino novo, de anos recuados e presentes. Mulherista e sem-vergonhista de marca maior, Rebordão Pereira não conseguia mais gritar, por conta da engordurada Dona Auta dos Santos, que em anos recuados destroncou mais de uma balança de comércio e tantas outras de farmácia, e agora, em presente tempo, destroncava o justo centro do colo de Rebordão Pereira, que em dez anos ao derredor não conhecia tanto peso em pessoa só. O grito desfolegueado foi efeito sanfonista de Dona Auta dos Santos. Esvaziou a caixa do pulmão do pobre funcionário arquivista do Fórum de Pirajibe, de modo que não voltava a se encher e sim a continuar se esvaziando até o sujeito pegar cor de vela e expirar em rabeca de anjo. E por essas e tantas que Rebordão Pereira deu seu último grito silencioso e expirando de modo felizardista, em presença descascada de partes de rabo-de-saia.