5 de julho de 2010

Vaqueiros da Madrugada

Como tresvestido de vaqueiro, o Tinhoso errante pelas cercanias do sertão. Ele e sua trupê, de fazer cangaço verter mijo. Sua trupê, montado em demônio alado, disfarçado de cavalo bonito, desfiava pelas veredas enluaradas, atrás de alma. Em noite do Cujo, não há lobisomem, aparição ou abusão que ponha a cara pra fora da toca. É um tal de janela e porta na tramela, é um tal de lampião desapagado. O Cão rindo feito gente, gritaria que parece sair de rebanho de condenado. É um deus-nos-acuda. É maldade tanta de saci-pererê requerer folga e licença de travessura. Pra sorte ou azar do infeliz do demonião, que não tem força pra atrevessar o desertão. Só de ver a luz das cidades, o Pai da mentira recua de medo. Não há crença por aquelas urbanidades em tal criatura. É um deus-nos-acuda de computador e maquinaria, que não resta tempo pra superstição. E o capiroto bate em retirada pro semi-árido, que é lugar de dar gosto ao Cão. Só a fé no Nosso Senhor Jesus Cristo, diz o sertanejo, e na Compadecida nos protege do Tal.