29 de maio de 2010

Sobrenome Defunto, parte IV

E o defunto jazia de cara no pé do meio-fio e sarjeta. Zóinho revirado. Sangue, aparente e pertinente ao bucho do defunto. Garoa, daquelas malditas de doer sem fim. O poste e seu feixe de luz, alumiava as gotículas do chovisco. E o defunto montado de prenúncio dos infernos, já de terno e gravata, Bíblia Sagrada encharcada de garoa. O nome do presunto era requerido com súplica num outro canto daquele bairro médio, de gentinha humilde, no aposento de uma casinha, por uma mãe que de reza e prece à divindade superior, implorava proteção ao parido, que tinha aceito os perdões de Jesus, após dez anos de vício em pinga braba, pó branco, e maleita de fumo verde também. Pairava no paraíso a alma do ex-drogado.