Seis. Manhã. Lotado este ônibus. De onde sai tanta gente? Duzentos ônibus, todos lotados iguais. O dia inteiro lotado. Velhas e idosos indo resolver os papéis da previdência. Peões, uns peles escuras do sol. Outros com cabelos carregados de gel. Espíritos redivivos. Dois em dois em cada banco. No corredor: em pé, suvacos, empurrões, pisões, encoxadas. Caras sonsas. O cobrador distraído. Egoístas espalhados pelo ônibus: com suas bandas individuais. Eventuais decotes sugados por olhos lascivos. Cabeças recostadas em vidros, olhando para as faixas do asfalto. Alguns dormindo. Entre eles um velho feio e negro, cujo coração acabou de parar. A Providência lhe falhou.
Amanhã: idem.
Amanhã: idem.